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21/04/2013 - 10:04 Terceiro Domingo do Tempo pascal – Ano C (Jo 21,1-19)




         Duas imagens de Igreja cruzam-se na passagem do Evangelho de São João escolhida para este domingo. Todo o episódio da pesca milagrosa, ordenada por Jesus, após as tentativas infrutíferas de Pedro e seus companheiros, com a barca que recolhe a rede cheia de grandes peixes, nos fala do Reino e da Igreja. De fato, a barca que pode acolher muitos peixes é uma boa imagem da Igreja Universal. Além disso, Cristo chamou os apóstolos para serem pescadores de homens, que devem ir às águas mais profundas e lançar as redes, com confiança na sua palavra que assim os exorta a proceder (in verbo tuo...). Esta barca, batida pelos ventos, não afunda ou se perde, pois o Senhor domina os ventos, a tempestade e as ondas violentas. Vem, quando menos se espera, em meio a tribulação, mesmo que não seja logo reconhecido, porque temos pouca fé, mas já estava bem perto, como protetor e amigo, precisamente no momento de maior perigo, apenas invisível a nossa incredulidade e incapacidade de um verdadeiro abandono filial. Ele fecunda ação da Igreja e a de seus pastores e filhos, porém de forma misteriosa, permitindo uma pesca abundante. Sobretudo, como mestre amoroso, vela pelos destinos dessa barca e confirma seu timoneiro, para que chegue a um porto seguro.

         Por outro lado, Cristo exige de Pedro o amor total a Ele, como condição indispensável para lhe confiar o seu rebanho. Agora, a Igreja é um grupo de ovelhas a ser guiado por seu pastor. Na verdade há um só Pastor, assim como deve haver um só rebanho. Mas Pedro deve ser o pastor vicário, o representante fiel de sua solicitude e de seu imenso amor por todo rebanho, amor que se manifesta sobretudo no cuidado das ovelhas fracas, doentes e desgarradas, o que atesta a ação desinteressada do pastor que vem para servir e não ser servido. O rebanho, guiado por seu pastor, é o lugar seguro e a garantia do alcance da meta ou destino, as pastagens fecundas, para além do vale da morte. Pois o Cristo, que guia e protege a barca, e a torna capaz de ser o instrumento de uma pesca copiosa é o mesmo que conduz, alimenta e defende seu rebanho, com a doação de sua própria vida, dando testemunho de seu infinito amor por cada um de nós.