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23/06/2013 - 09:56 XII Domingo do Tempo Comum - Ano C




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        No centro desta passagem de Lucas, encontram-se dois episódios, a chamada “confissão de Pedro” e o primeiro anúncio da Paixão feito por Jesus, para perplexidade dos discípulos e de Pedro em particular, o que, aliás, não é acentuado neste Evangelho. Em seguida, quase que como consequência de seu anúncio, Jesus insiste na necessidade da cruz como condição para segui-lo e tornar-se seu discípulo. A confissão e o anúncio da Paixão não se contradizem, porque é precisamente através da Paixão que Jesus manifesta sua messianidade e sua filiação divina, insinuada já na confissão de Pedro, na forma  mais completa transmitida por Mateus.

         O discipulado de Cristo, através do sofrimento, choca hoje como ontem, porque contraria frontalmente a natureza humana. Contudo, Jesus é bastante claro e sua afirmação tem um caráter absoluto: sem a cruz não se pode ser seu seguidor, fica-se excluído do discipulado. Entretanto, o que parece assustador aos olhos da natureza, ganha outros contornos através da fé. Se a cruz é exaltação para Cristo, há de ser também para nós, se assumida na mesma perspectiva que O fez buscá-la com um desejo ardente de amor. Não se busca, portanto, na cruz nem o aniquilamento nem a dor pela dor, mas a vitória e a redenção, um grau de elevação muito superior a qualquer aspiração meramente humana. Enfim, numa das mais profundas inversões proposta pelo Evangelho, Jesus quer ensinar-nos a dinâmica da perda que é ganho e ganho absoluto: a eterna salvação, a superação deste vale de lágrimas, com suas paixões vazias e suas dolorosas ilusões, a saciedade infinita de todo desejo e a plena realização da pessoa humana, mediante sua inserção na feliz comunhão Trinitária, coisa que sequer podemos imaginar adequadamente nesta vida.

         Na epístola aos Gálatas, igualmente lida neste domingo, são Paulo nos ensina que somos filhos de Deus, porque fomos, pelo batismo, inseridos no Cristo, nos revestimos Dele e nos unimos a Ele, fazendo com Ele uma só coisa. Então o discipulado, na verdade, não é um mero seguimento exterior. Há, aqui, um mistério de assimilação muito profundo, onde o Cristo permite que seu caminho se reproduza em nós e Ele mesmo possa sofrer em nós. Se o preço de tal união e conformidade com Jesus é a cruz, este preço é muito pequeno. Tudo mais deve tornar-se muito pequeno diante da sublimidade do amor de Jesus e de nossa terna união com Ele.