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04/08/2013 - 13:19 XVII Domingo do Tempo Comum - Ano C (Lc 11,1-13) - PARTE II




     Rezar, nesta perspectiva, não é um ato que se circunscreve ao indivíduo, mas, antes, é ação da pessoa, na sua dimensão dialogal, comunicativa ou relacional, que se dirige a uma outra Pessoa, dando à maiúscula deste último substantivo toda a força e intensidade que a ela se pode dar. Pessoas, é normal, relacionam-se entre si. Pessoas são núcleos de subjetividade, mundo interior, vida intelectiva e capacidade volitiva. É evidente que, quando passamos da pessoa humana às Pessoas divinas – sim, porque, na riqueza do existir divino, são três as Pessoas - , todas aquelas características devem ser entendidas de uma forma própria à esfera divina, com ausência de limitações de qualquer espécie, isto é, imperfeições, incoerências, instabilidade, parcialidade, incompreensão, opacidade da inteligência, inconstância, tibieza ou fraqueza da vontade, impetuosidade e qualquer perturbação oriunda de paixões não dominadas, como ocorre com todos nós, criaturas perfectíveis. Mas onde há inteligência e vontade, pode haver, também, amor. E se a capacidade de conhecer e de querer são infinitas, infinita, igualmente, será a capacidade de amar. É precisamente por isso que nossa oração permite a comunicação interpessoal. Em uma ponta da relação está nosso medo, nossa insegurança, nosso desejo, nossa fraqueza, nossa gratidão, nossa admiração, nossa escuridão, nossa pobreza, nosso júbilo e nosso pequeno amor, porém, na outra, um olhar de infinita bondade, a onipotência a serviço do amor e da misericórdia, a mais profunda compreensão e, sobretudo, o amor que se quer comunicar e que busca, também, o amor como resposta. Na oração, estes dois mundos entram em contacto. Podemos falar com qualquer das Pessoas divinas, sabendo que todas têm o mesmo amor por nós e buscam nosso olhar. O próprio Pai aceita, cheio de alegria, nossa intimidade com Jesus na oração, como se fosse dirigida a Ele mesmo, pois justamente para isso O enviou até nós. É possível viver, assim, em grande familiaridade com cada um Deles e experimentar, como é cabível nessa vida, todo calor de sua presença pessoal. Na vida dos santos, dos verdadeiros amigos de Jesus, como santa Teresa de Lisieux ou, muito antes, as santas medievais e cistercienses Mectilde e Gertrudes, o que resplandece (e espanta a nós que temos tão pouca fé), é essa intimidade inefável, em que duas pessoas se fundem num abraço pleno de ternura e amor e o cotidiano da criatura é todo penetrado pela proximidade divina.