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22/11/2014 - 21:45 Solenidade de Cristo Rei




 

 Regnabit a ligno Deus
 
 

 

     A imagem do rei ou da realeza tem profundas raízes no psiquismo humano, mesmo tendo os reis e as realezas políticas quase desaparecido. A força dessa figura está também ligada à espiritualidade bíblica e cristã, na medida em que foi empregada para apresentar a divindade e, no Novo Testamento, é atribuída ao próprio Cristo, seja na sua forma gloriosa, seja na sua expressão quenótica, como rei de zombaria e humilhação suprema na Cruz.

   A Solenidade de Cristo Rei, aponta, em primeiro lugar, para a soberania universal de Cristo, por quem e para quem tudo foi criado, mas tem, também, por isso mesmo, uma consequência necessária. Se Cristo é, de fato, rei, que tipo de realeza efetivamente realiza sobre cada um de nós? Esta pergunta pode ser respondida tomando a questão por seus dois lados. Primeiro, podemos considerar a forma de realeza que Cristo quer encarnar. Aquele que, segundo o Apocalipse, bate à porta e, humildemente, espera ser acolhido, não é um rei cheio de pretensões e exigências despóticas, mesmo sendo de fato o verdadeiro e único Soberano. Este rei busca os corações, deleita-se em estar com os filhos dos homens, tem pensamentos de paz e não de aflição, espera ter seu rosto sem beleza reconhecido no sofrimento terrível de sua paixão, que é, toda ela, uma grande carta de declaração de amor por todos nós. Este rei se propõe, mas não se impõe, é simples e pacífico, não assusta ninguém, pois vem montado em um jumentinho e apareceu, por primeiro, como uma pobre criancinha indefesa em Nazaré, deitado numa manjedoura, cercado de pobres e animais.

   Se a sua soberania é a dos corações, sua realeza só pode tornar-se real e efetiva para nós se o acolhemos com um amor que quer assemelhar-se ao que demonstra por nós. Deixá-lo entrar em nós, dar-lhe liberdade para agir conosco como desejar, nada lhe recusar, gozar de sua doçura, nada ter mais caro que seu amor, só assim permitiremos que, verdadeiramente, seja o nosso Rei.