Notícia



20/12/2014 - 15:56 IV Domingo do Advento




Missus est Gabriel angelus

 

      O Advento atinge um clímax com o Evangelho da Anunciação, que é lido neste domingo, pois a tradição vê neste episódio o momento da Encarnação.

      Dois são os personagens visíveis na cena descrita por Lucas: o anjo Gabriel e a virgem de Nazaré, dada por esposa a José, que tem por nome Maria. O diálogo entre os dois, com a resposta final de Maria, acedendo ao plano que lhe é apresentado, decide o destino da humanidade, porém numa direção diametralmente oposta à daquele diálogo mantido entre Eva e a serpente, no início da história humana. A atitude de Maria será fonte de bênçãos, permitindo o cumprimento de todas as promessas de salvação, desde Adão, passando por Abraão, Jacó, Moisés, Davi, até os profetas, dentro os quais João Batista é o último, tendo a graça de anunciar o Messias já presente.

      Contudo, quando consideramos mais atentamente a narração de Lucas, descobrimos outros três personagens que, na verdade, são os mais importantes. Gabriel, enviado por Deus, após saudar Maria como cheia de graça e objeto da proximidade do Senhor, proclama ter ela encontrado graça diante do mesmo Deus. É inequívoca, aqui, a referência ao Pai, a primeira Pessoa da Santíssima Trindade, mais adiante denominado Altíssimo e Pai Daquele que conceberá. Precisamente, então, o concebido é o Filho, que deverá receber o trono de Davi, mas numa dimensão nova e inaudita, pois seu reino não terá fim, isto é, possuirá um grau de transcendência que só pode ser atribuído ao reinado divino. Enfim, há uma menção explícita ao Espírito Santo, cujo papel é atuar nas profundezas da humanidade de Maria para que conceba o que será chamado Filho de Deus, realizando a obra de amor infinito que é a Encarnação. Assim, a Anunciação é também uma revelação trinitária, manifestando a ação das três Pessoas divinas no plano da Salvação e elevação da humanidade à comunhão trinitária, pois o alcance da Encarnação é efetivamente este, colocar o gênero humano no alto patamar da graça e da participação na vida divina.

      Maria aparece, então, como aquela que é o ponto de encontro entre a divindade e humanidade, não no sentido supereminente da união das naturezas humana e divina na Pessoa de Jesus, mas num sentido elevadíssimo em que oferece todo seu ser, numa disponibilidade jamais igualada por qualquer outra criatura, para que o Filho se torne seu filho e um homem como todos nós.