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24/12/2014 - 20:10 O Natal do senhor





 

      As últimas palavras do anjo Gabriel a Maria, na narrativa da Anunciação, segundo o evangelista Lucas, contêm uma verdade consoladora e confortadora: “porque para Deus nada é impossível”. Esta afirmação categórica de Gabriel refere-se ao sinal que oferece a Maria, a concepção de sua prima Isabel, idosa e estéril. É um sinal de alegria e fecundidade que prenuncia a alegria infinitamente maior da concepção virginal de Maria e da Encarnação do Filho Unigênito de Deus. Contudo, aquela afirmação tem um alcance muito maior. A Encarnação é a superação de todas as possibilidades da ordem criada. A partir da ruptura da barreira entre finito e infinito, Criador e criaturas, pois Aquele que é concebido por ação do Espírito Santo é o Emanuel profetizado por Isaías, Deus em nosso meio, ao nosso lado – um de nós! –, trazendo definitivamente para o nosso meio o mundo divino e abrindo a derradeira etapa da História da Salvação que desembocará na própria eternidade de Deus, tudo o mais torna-se possível. A Encarnação é a grande manifestação e realização das infinitas possibilidades do amor de Deus pela humanidade. Tudo agora é possível, pois o Amor tomou uma natureza humana e seus desígnios com relação aos homens são de paz e não de aflição. Tudo é possível dentro da infinita criatividade de Deus, a serviço de seu amor e de seu plano de Redenção. Daí a loucura da Cruz – Deus humilhado, escarnecido e condenado como malfeitor, porém ressuscitado e vencedor da morte e do pecado – e as próprias circunstâncias do nascimento de Jesus, como um pobre e pequenino na obscuridade da noite em um local destinado a animais. Mais tarde, Cristo afirmará que tudo é possível para quem tem fé e, ainda, que, com Ele, tudo podemos fazer, já que, sem Ele, nada podemos fazer. Também o Apóstolo dirá: tudo posso Naquele que me conforta.

     Assim podemos compreender o sentido profundo do amor infinito de Cristo operando a nosso favor. A natureza humana que o Filho Unigênito recebe na Encarnação é a mesma que permitirá a doação total e a derradeira exclamação “tudo está consumado”, atestando que tudo foi doado até o fim e nada ficou fora do âmbito da autodoação de Jesus. Se o amor chegou a este ponto, de fato podemos crer que tudo é possível para Deus na busca de sua criatura, agindo sua onipotência como expressão de seu amor.