NOSSA ORDEM

"NADA ABSOLUTAMENTE ANTEPONHAM AO AMOR DE CRISTO, QUE NOS CONDUZA JUNTOS PARA A VIDA ETERNA."

 

Regra de São Bento

"Nossa Ordem é desprezo, humildade e pobreza voluntária; é obediência, alegria e paz no Espírito Santo. Nossa Ordem é a submissão a um superior, a um abade, a uma regra, a uma disciplina. Nossa Ordem é o zelo pelo siêncio, a prática do jejum, das vigílias, da oração, do trabalho manual e, acima de tudo, consiste em seguir um caminho mais excelente, que é a caridade. Além disso, trata-se de progredir em todas essas coisas, dia após dia, e assim perseverar até o final."

 

São Bernardo de Claraval, Carta 142

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     Para muitos, São Bernardo foi o pai da Ordem Cisterciense, mas, ao ingressar em Cister, fundado em 1098, encontrou um grupo de monges com um projeto bem determinado, sob a guia de Santo Estêvão Harding, seu terceiro abade. Tratava-se de um mosteiro reformado, como muitos de seu tempo, em que se procurava viver a vocação monástica de uma forma mais autêntica, sem compromissos com o mundo, seus negócios e interesses, buscando s a Deus na pobreza, no despojamento, no trabalho das próprias mãos, no silêncio e na oração. Os cistercienses seguiam a Regra de São Bento, escrito que reflete a sabedoria espiritual daquele que é considerado o patriarca dos monges do Ocidente e que viveu na Itália, no século VI. O pequeno núcleo de Cister desenvolveu-se rapidamente, chegando a ser uma grande influência na Igreja, pouco tempo depois de sua fundação, a ponto de eleger-se um papa cisterciense quando Cister contava com cinquenta anos de fundação. São Bernardo teve um relevante papel na expansão e difusão da Ordem e de sua espiritualidade no século XII. 
      Desde o início, foi decidido que todos os mosteiros da Ordem seriam construídos em honra da Virgem Maria, o que traduzia a terna devoção à Santa Mãe de Deus, que marcou a espiritualidade cisterciense. Nisso mostraram-se filhos de seu tempo, o século XII. São Bernardo destacou-se neste aspecto, tendo escrito belíssimos sermões sobre Nossa Senhora que, se não são inovadores em termos de Mariologia, tem o mérito de expor de forma correta e brilhante o melhor da doutrina mariana da poca. Com o crescimento e a diversificação dos mosteiros, sem falar na incorporação Ordem de inteiras congregações monásticas, nem sempre conseguiu-se manter o ideal original em toda sua pureza e fidelidade. Além do mais, os inúmeros mosteiros espalhados pela Europa deviam submeter-se a condições distintas e variadas, o que exigia adaptações e abrandamentos na forma de vida inicial. Embora a Ordem tivesse uma relativa centralização, com a reunião anual de todos os abades na casa-mãe Cister, a uniformidade tão desejada pela Carta de Caridade, documento que estruturou a Ordem nascente, ficou de algum modo vulnerada. Esse documento, obra datada do primeiro quarto do século XII, preconizava o vínculo da caridade como peça fundamental para o relacionamento entre os mosteiros. Proibia as relações econômicas de dependência (pagamento de tributos ou rendas) e insistia no socorro mútuo e na solidariedade entre as diversas abadias, sobretudo no plano espiritual. A harmonia desta estrutura e seu elevado ideal deram grande vigor à reforma cisterciense.
     Quando São Bernardo morreu em 1153, a Ordem contava com 338 abadias, número que continuou em expansão até meados do século seguinte. Nessa poca, contudo, já haviam surgido as ordens mendicantes (dominicanos e franciscanos) e o recrutamento vocacional passou a ser menos intenso. A Ordem não deixou de sofrer as vicissitudes dos tempos em que viveu. As imunidades de que gozavam os cistercienses levaram a um certo relaxamento. A grande expansão dos mosteiros teve como consequência um enfraquecimento do Capítulo Geral, pois nem todos os abades podiam comparecer anualmente a sua reunião. Também a Peste Negra, a Guerra dos Cem anos e as guerras de religião causaram muitos danos e a perda de mosteiros. Enfim, fez muito mal à Ordem a prática da comenda, costume de entregar abadias à pessoas de influência, estranhas à comunidade monástica, para que desfrutassem de suas rendas. Tais pessoas eram chamadas de abades comendatários que, via de regra, no se preocupavam com a qualidade da vida espiritual dos monges. Nasceram, ainda, com o tempo, as congregações, agrupando mosteiros por países ou regiões. Embora conflitantes com com a proposta inicial de união em torno do Capítulo Geral, as congregações permitiram um certo revigoramento, não sem prejuízo da uniformidade do início. Aliás, no faltaram movimentos de reforma no seio da própria Ordem, o que deu origem à Estrita Observância. A convivência, porém, entre as casas reformadas e a demais nem sempre foi pacífica, até que com a Revolução Francesa e a grande secularização que dela proveio, no final do século XVIII e início do XIX, suprimiu grande parte dos mosteiros cistercienses. O que restou da Ordem, incluindo as comunidades da Estrita Observância, permitiu o seu reflorescimento. Em 1892 separam-se os dois ramos, tornando-se a Estrita Observância uma ordem independente. Atualmente as duas ordens possuem casas espalhadas pelos cinco continentes, sendo que nove delas estão implantadas no Brasil.

A espiritualidade cisterciense

     Os cistercienses são herdeiros de uma da mais belas tradições espirituais da Igreja. Pode-se mesmo falar de uma escola cisterciense de espiritualidade, pois há um grupo notável de autores, sobretudo no século XII, com uma temática de grande uniformidade. O maior nome é, sem dúvida, Bernardo de Claraval. Qual a sua mensagem? Os cistercienses combinavam dois elementos da tradição monástica: uma componente de vida eremítica – a solidão e o silêncio em que viviam os monges para dedicar-se à oração – e a vida fraterna proposta pela Regra de São Bento que, por sua vez, realiza o ideal da vida apostólica, ou seja, a unanimidade de coração e alma da comunidade primitiva de Jerusalém em torno dos Apóstolos, uma existência em que o amor de Deus transborda em amor fraterno e comunhão. Dentro de um quadro de austeridades que compreendem não só o afastamento do mundo (porém não um desinteresse pelo mundo em suas carências e aflições), mas também o despojamento da pobreza e da simplicidade, um regime alimentar sóbrio e a fecunda monotonia do trabalho manual, unidas a um intenso ritmo de oração (comunitária – o ofício divino recitado em coro – e individual) e a lectio divina (leitura meditada que leva à oração, sobretudo usando a Sagrada Escritura), o monge deveria encontrar a Deus. De fato, os cistercienses encontravam-se com Deus em Cristo e seus escritos falam abundantemente deste encontro de amor. O claustro é, então, nesta perspectiva, um paraíso, porque é o lugar em que o homem reencontra sua harmonia, perdida pelo pecado e o afastamento de Deus. No claustro, o homem está a sós com Deus e pode viver a perfeição da caridade, também nas relações fraternas. Não é ocasional o fato de os cistercienses terem sido doutores da amizade espiritual. Por tudo isso, os mosteiros cistercienses tornaram-se um sinal eloquente do absoluto de Deus que merece a consagração total da vida humana na profissão monástica. Ainda hoje os mosteiros cistercienses desejam viver e transmitir essa herança, apresentando-se como centros de irradiação no ambiente em que estão implantados. Ao longo do tempo, os monges assumiram encargos diversos na Igreja. Assim, nem todos os mosteiros da Ordem exercem o mesmo tipo de atividades. Há os que se dedicam a certas obras de apostolado externo, como a pastoral paroquial e a educação da juventude, outros acolhem grupos para retiros espirituais ou entregam-se exclusivamente à vida contemplativa, fazendo desta sua principal forma de expressão da caridade cristã. Seja como for, os mosteiros cistercienses querem dar testemunho de uma existência sobrenatural, em que Deus é buscado em primeiro lugar e tudo se ordena em função desta busca. Mediante sua intercessão e sua irradiação, os monges querem levar todos os homens a participar de sua vida de oração e união com Deus na simplicidade de coração.

 

Outros mosteiros

no Brasil

CONFIRA TODOS OS MOSTEIROS DA FAMÍLIA CISTERCIENSE NO BRASIL

 

 

Ordem Cisterciense - O.Cist:

 

Mosteiros masculinos

 

Abadia de Nossa Senhora da Santa Cruz

 

Itaporanga - SP

Abadia Nossa Senhora Mãe do Divino Pastor

 

Jequitibá - BH

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Abadia Nossa Senhora do Divino Espírito Santo

 

Claraval - MG

Abadia Nossa Senhora de São Bernardo

 

São José do Rio Pardo - SP

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Mosteiros femininos

Abadia Nossa Senhora de Fátima

 

Itararé - SP

Abadia Nossa Senhora da Santa Cruz

 

Santa Cruz de Monte Castelo - PR

Abadia Nossa Senhora Aparecida

 

Campo Grande - MS

Ordem Cisterciense da Estrita Observância - O.C.S.O.

 

Mosteiros masculinos

 

Abadia Nossa Senhora do Novo Mundo

 

Campo do Tenente - PR

Mosteiros femininos

Mosteiro Nossa Senhora da Boa Vista

 

Rio Negrinho - SC